Se você acompanhou o universo da decoração em 2025, certamente percebeu o protagonismo das paletas neutras, dos ambientes clean e da estética minimalista. Foram anos marcados pela busca por ordem, funcionalidade e certa neutralidade visual.
Em 2026, o cenário muda de forma clara. A decoração deixa de ser apenas estética e passa a ser narrativa. Os interiores ganham alma, emoção e identidade. Sai o ambiente impessoal, entra a casa que conta histórias e reflete quem vive ali.
Esse movimento impacta diretamente o mercado imobiliário de alto padrão. Casas e apartamentos deixam de ser vistos apenas como ativos financeiros e passam a ser extensões do estilo de vida, da memória e da individualidade dos moradores.
“Períodos de crise e incerteza geralmente impulsionam uma resposta dupla: uma busca por simplicidade e segurança, mas também por ambientes expressivos, capazes de gerar emoção”, explica Monica Levandoski, consultora sênior da WGSN Mindset.
Neste guia, a HomeHub apresenta as principais tendências de decoração para 2026, comparando o que mudou em relação a 2025 e como essas transformações valorizam imóveis de alto padrão.
Índice
Do Minimalismo ao Maximalismo Afetivo
Em 2025, o minimalismo ainda reinava absoluto. Ambientes com poucos objetos, cores suaves e estética quase neutra dominavam projetos residenciais. Em 2026, esse conceito evolui para o chamado maximalismo afetivo. A casa passa a ser vista como um espaço de restauração emocional, memória e pertencimento.
O arquiteto Alexandre Salles, professor universitário e titular do Estúdio Tarimba, define essa mudança como o conceito de “lar com identidade”.
“Deveríamos olhar para a casa como um espaço de restauração. Diante de um mundo caótico, as pessoas buscam um lar mais biográfico, um lar com alma, com memória e objetos que contam histórias. As pessoas querem sentir que moram em uma casa com narrativa, não em um catálogo.”
O que isso significa na prática
- Mistura de texturas como veludo, linho, couro envelhecido, madeira desgastada e metais oxidados
- Uso de cores intensas, estampas marcantes e papéis de parede expressivos
- Valorização de artesanato, peças autorais e objetos feitos à mão
Essa tendência é especialmente valorizada em imóveis amplos e bem localizados, onde o layout permite maior liberdade criativa e personalização.
Estilos que dominam 2026
1. Maximalista

Se em 2025 o excesso ainda era visto com cautela, em 2026 o maximalismo é celebrado como uma forma legítima de expressão pessoal. Contrário à simplicidade extrema, esse estilo aposta em misturas e exageros bem dosados, criando ambientes cheios de identidade.
Características principais:
- Mix de estilos e épocas
- Cores intensas e contrastantes
- Estampas diversas como florais, geométricas e étnicas
- Sobreposição de texturas
- Abundância de objetos decorativos
O segredo está no equilíbrio visual. Mesmo com muitos elementos, é essencial manter uma linha estética que conecte tudo, geralmente por meio de uma paleta dominante ou padrões recorrentes.
2. Boho contemporâneo

O boho, que já vinha ganhando espaço, se consolida em 2026 em uma versão mais refinada. Em comparação a 2025, o estilo deixa de ser apenas despojado e ganha composições mais elegantes, com tramas naturais, tons pastel e elementos artesanais bem selecionados.
O que permanece de 2025 é a forte conexão com a natureza e a valorização do conforto e do acolhimento.
3. Brutalista

O design brutalista, com raízes no movimento arquitetônico do pós-guerra, ganha força nos interiores em 2026. A proposta valoriza matérias-primas em seu estado mais honesto, com impacto visual marcante.
Materiais protagonistas:
- Concreto aparente
- Aço oxidado
- Madeira em estado natural
- Pedra natural sem polimento
A iluminação zenital, vinda de cima, é característica desse estilo, criando jogos de luz e sombra que destacam as texturas e reforçam o caráter arquitetônico do espaço.
4. Vintage e Neo Déco

Uma das tendências mais fortes de 2026 é o Neo Déco, uma releitura contemporânea do Art Déco que celebra o vintage e o maximalismo. Móveis arredondados dos anos 50, luminárias metálicas, estofados de veludo e espelhos patinados aparecem em composições ricas e cheias de personalidade.
Enquanto em 2025 o vintage surgia como um detalhe pontual, agora ele pode ser o protagonista absoluto do ambiente, com múltiplas peças de diferentes épocas convivendo de forma harmônica.
Materiais e revestimentos em destaque
Materiais naturais
Em 2025, os materiais naturais já tinham presença marcante. Em 2026, essa preferência se intensifica, com um olhar ainda mais criterioso para origem, sustentabilidade e impacto ambiental, fatores que ajudam a diferenciar o imóvel em um mercado cada vez mais competitivo.
- Mármores e pedras nobres continuam em alta, especialmente em bancadas, pisos e banheiros, com valorização de pedras locais e fontes certificadas
- Madeiras nobres certificadas FSC deixam de ser diferencial e se tornam requisito. Carvalho, freijó e pinus seguem valorizados, especialmente em acabamentos que evidenciam a textura natural
O arquiteto Guto Requena, que lidera seu próprio estúdio, reforça:
“O mundo mudou, e isso impacta nossas escolhas como arquitetos e também as escolhas dos clientes. Hoje, projetar espaços descarbonizados é um valor agregado.”
Paredes com personalidade

Enquanto em 2025 as paredes texturizadas e acabamentos 3D já ganhavam espaço, 2026 leva essa tendência a um novo patamar, com soluções ainda mais expressivas.
- Papéis de parede maximalistas com estampas grandes, florais, geométricas ou inspiradas na natureza
- Texturas orgânicas que remetem ao reboco rústico e às pedras naturais, com inspiração mediterrânea
- Painéis de madeira ripada com variações de espessura e espaçamento
- Uso de terra crua e outros materiais naturais ligados à construção ancestral
Biofilia: Natureza Como Parte do Projeto

A biofilia permanece fortíssima em 2026, mas evolui. Não se trata mais apenas de adicionar plantas ao décor, e sim de integrar a natureza de forma profunda ao projeto arquitetônico.
Em 2026, vemos:
- Jardins internos e de inverno integrados às áreas sociais
- Hortas conectadas à cozinha
- Sistemas de compostagem embutidos
- Uso de materiais que “respiram”, como terra crua e madeira natural
- Iluminação que simula os ciclos naturais do dia
Esses atributos impactam diretamente a experiência de morar e aumentam a atratividade do imóvel, especialmente em grandes centros urbanos.
“Existem estratégias muito sofisticadas na natureza, e aprender com elas será central nos próximos anos”, afirma Graziela Nivoloni.
Tecnologia silenciosa: A Evolução da Automação
Em 2025, a automação residencial ainda era vista como diferencial tecnológico. Em 2026, ela se torna praticamente invisível.
Alexandre Salles define esse movimento como tecnologia silenciosa ou quiet luxury:
“A tecnologia amparada pela inteligência artificial propõe uma verdadeira simbiose com a casa. Não será preciso programá-la, e sim deixá-la entender e se adaptar ao dia a dia dos usuários.”
O que isso representa:
- Automação adaptativa, que aprende hábitos
- Interfaces invisíveis, sem painéis aparentes
- Eficiência energética inteligente, com consumo otimizado automaticamente
Monica Levandoski complementa:
“O principal desejo dos consumidores é usar a Inteligência Artificial como uma facilitadora, e não como mais um entrave. Personalização inteligente, eficiência, sustentabilidade e autonomia são as principais formas da influência da IA no ambiente da casa.”
Sustentabilidade: De Discurso a Prática
O que veio de 2025
- Reuso de móveis vintage
- Materiais certificados
- Eficiência energética
- Coleta seletiva estruturada
O que muda em 2026
- Avaliação do impacto de carbono
- Uso de materiais bio baseados e de baixo carbono
- Projetos pensados para circularidade
- Valorização da produção local
“Se olharmos para as construções indígenas, percebemos que elas eram biodegradáveis e bio-baseadas. Nossos povos originários não deixaram rastros. Isso é especial no Brasil”, observa Guto Requena.
Hiperlocalidade: Valorizando o Regional

A hiperlocalidade surge como uma das tendências mais relevantes de 2026. O décor passa a incorporar referências regionais brasileiras de forma legítima, respeitando território, memória e pertencimento.
“Temos um saber artesanal muito ímpar no contexto global. A casa brasileira é maximalista por natureza”, pontua Guto Requena.
No Nordeste, cerâmicas, rendas e cores vibrantes. No Sul, tecelagem, madeira e estética mais sóbria. No Norte e Centro-Oeste, fibras naturais, grafismos indígenas e conexão direta com a natureza.
Monica Levandoski alerta:
“Isso precisa ser feito com sensibilidade e legitimidade, respeitando as histórias e saberes sem se apropriar deles.”
Modernismo Brasileiro: Nossa Identidade em Evidência

O modernismo brasileiro retorna com força em 2026, influenciando arquitetura e interiores com linhas retas, cobogós, luz natural e permanência estética.
Ícones que inspiram esse movimento:
- Oscar Niemeyer
- Lina Bo Bardi
- Sérgio Rodrigues
- Paulo Mendes da Rocha
HomeHub: imóveis que acompanham o seu estilo de viver
Na HomeHub, acreditamos que um imóvel de alto padrão vai muito além da localização. Ele precisa ser uma base perfeita para expressar identidade, bem-estar e estilo de vida.
Por isso, nossa curadoria reúne casas e apartamentos que dialogam com as principais tendências de arquitetura, decoração e sustentabilidade, sem abrir mão da atemporalidade, seja na Zona Sul do Rio, Barra da Tijuca, Região dos Lagos ou Serra do Rio.
Se você busca um imóvel que acompanhe essa nova forma de morar, mais autoral, consciente e conectada com o futuro, o nosso time está pronto para te ajudar a encontrar o espaço ideal.
